sábado, fevereiro 28, 2009

O anomimato do conhecimento

Almas espelhadas reflectem e não absorvem, radiações, imagens ou apenas sentimentos, almas que se escondem e encolhem, de fora para dentro, erguendo cortinas de predefinições, invisíveis aos olhos da desatenção. Protecção para os olhos da atenção, à pressão dos seres perfeitos que deambulam, regem e uniformizam as formas de vida, de uma forma estrita e militar, olhos que nos observam, controlam, e julgam. Restringem os seres, e a sua evolução natural, seleccionam fenótipos sociais, e esquecem-se da essência do ser, dos demónios e virtudes dos nossos genes, deramados algures sob factores ambientais. Espelhos reflectem e não absorvem, assim somos nós quando caminhamos na rua, com os auriculares do Ipod, a olhar para o chão que pisamos, ansiando pissar-lo primeiro que o semelhante. Ignoramos-nos a nós e aos outros, ocultamo-nos simplesmente para sobresair, no meio da multidam de escravos sociais de almas espelhadas.

1 comentário:

Olga disse...

Este tive que ler pelo menos três vezes antes de perceber...
O monstro está a tornar-se num animal literário!
Isto de cada um de nós passar pela vida com a máscara de Carnaval sempre posta acaba por ser mais um lugar-comum. Já pensaste o que seria se eu revelasse o meu verdadeiro eu, o meu verdadeiro estado de espírito ao primeiro energúmeno que me aparecesse? Há todo um aprendizado, um eu mostro-te se tu mostrares (no bom sentido)...É muito mais simples caminhar pela vida "parecendo" do que "sendo". Além de nos poupar a ter de dar explicações porque somos "diferentes".